quarta-feira, 18 de novembro de 2009

familia? '-'

Não vou entrar em detalhes, contando cada coisinha, como fazia antigamente, não é de hoje que enfrento problemas com minha família, a que me deram ao nascer, a que não escolhi, a que não tenho como trocar ... ou talvez tenha!
A minha vida toda, eu venho me machucando com o mundo, com as pessoas, e onde todo mundo encontrava consolo e amor, eu encontrava apenas mais dor, e isso foi cicatrizando, me fazendo aprender da forma mais difícil, que eu estava sozinho no mundo, e que exatamente ninguém iria se preocupar ou me ajudar.
Mas não sou um garoto tão desgraçado, logo descobri algo que me ajudou de uma tal forma que algumas feridas começaram a sumir, eu podia chamar essa descoberta de amigos, e com eles descobri sentimentos dos quais eu nunca tinha experimentado, eles me faziam sorrir, ao contrario de quando estava em casa, onde eu só podia chorar, cada vez mais, até que minhas lágrimas secassem, mas meus amigos tornaram as coisas mais fáceis, me convidavam à suas casas, eu conhecia suas famílias, e via que famílias podem ser boas, assim como alguns otimistas descrevem, mas isso acabou me machucando ainda mais, por não saber o que havia de errado com a minha, mas segui em frente.
Logo surgiram sensações estranhas, tristeza, mais solidão, um abismo de emoções ruins, e meus amigos tinham seus problemas, me ajudavam como podiam, mas eu não podia exigir mais do que isso, e eu estava mal, e perdido, outras pessoas ficaram assim, e as ouvia dizer aquela palavra que me soa estranha até hoje, "família". Eu não tinha uma, quer dizer, eu tinha, mas não era realmente uma família, a única ligação entre nós é a de compartilharmos DNA, mas isso não me importa, me vi sem amparo, sem ... família;
A dor me fez forte, forte pra aguentar a dor sozinho, e me ajudou a ajudar amigos que precisavam, e logo os laços com alguns amigos se tornaram tão fortes que eu sentia dentro de mim que finalmente havia descoberto o que eram irmãos, a gente ria e chorava, brigava e se acertava, estava sempre atento pro que o outro sentia, e se preocupava, queria acima de tudo o bem um do outro, acho que isso é ser irmão, passei a chamá-los de irmão ao invés de amigos, e eu me sentia bem com isso, passava cada vez menos tempo em casa, trocava menos palavras aqui dentro, deixei de chorar só pra rir do que vivíamos juntos lá fora,a família deles me trata bem, nos levam pra sair, pagam coisas até pra mim, e coisas que a família que me foi dada inicialmente não faz.
Acho que essa é a história do patinho feio, que cresceu, cresceu sozinho e sofrendo, mas que enfim descobriu o verdadeiro sentido de família!
Obrigado amigos, não sei o que seria de mim caso não tivesse vocês.

sábado, 7 de novembro de 2009


terça-feira, 3 de novembro de 2009

Padrinho ...

No primeiro momento fiquei sem reação, não sabia o que sentir, buscava em mim uma lembrança dele, mas era tão difícil, fazia muito tempo que não nos víamos, nem me lembro de nossa ultima conversa, não o culpa, depois que meus padrinhos se separaram e tiveram de cuidar de suas vidas, com todos os problemas e tudo mas ... mas eu sinto falta de um "feliz aniversário" as vezes, me lembro do aniversário em que me enganaram com um almoço e tiraram um bolo de dentro do forno rs
Os poucos momentos de uma criança feliz, e agradeço por isso (:
Ele estava lá... pelo menos o corpo dele, não acredito que sejamos nossos corpos, com todas as pessoas expressando sua dor da forma que as aliviaria, não diferente de mim, não queria chorar, sempre que eu entrava em prantos era ele quem me colocava no colo e dizia pra não chorar, ele me fazia forte. Aos poucos fui me lembrando de momentos que tivemos juntos, momentos até então esquecidos em algum canto escuro, e então foi inevitável, não pude conter as lágrimas, mesmo assim, me lembrar de seu rosto sorridente, rindo do meu choro sem sentido era difícil,não queria ter de ver ele ali, deitado, não gosto de guardar lembranças assim, não quero que quando me lembre dele essa seja a primeira imagem que me venha a cabeça, mas tive de ir até lá, só pra não parecer insensível diante dos olhos dos outros, então o vi , vi a dor deu sua filha, vi minha madrinha, quem no momento nem me reconheceu, também não a culpo, é um momento difícil, apesar da separação eles se davam bem, tudo girava e ao mesmo tempo congelava, tudo que podia ver era ele ali deitado, a pior parte é ver o caixão ser fechado, e ter de entender que não tem volta ... me recusei a ver isso!

... ele estava ali, dormindo, e logo acordaria, me colocaria no colo, e diria que não havia porque eu chorar, e me faria forte .